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PROPAGAÇÃO


Como as ondulações que acontecem na superficie da água quando se atira uma pedra. Movimentos que, por contato, provocam outro e, por propagação, se tornam, pouco a pouco amplas ondulações. É assim que vejo as 6 obras que foram apresentados, entre outubro 2006 e janeiro 2007, na exposição no Atelier d’Estienne. Os trabalhos se ligam através de um sistema de funcionamento semelhante e, mesmo sendo realizados em formatos e momentos diferentes, estão simplesmente mergulhados nas mesmas e antigas questões da pintura e de um certo recorte deste mundo.

As 6 instalações apresentadas se constroem a partir da repetição de elementos independentes que se combinam, em pequenas variações e diferentes ritmos, para criar uma forma. São estruturas que se instalam em situação de equilíbrio frágil, de instabilidade e sem hierarquias. Repetições, intensidades e silêncios. Penso que também se referem ao tempo. Mas um tempo sem inicio nem fim.


caixas coloridas 1999 - 2000. 12 pinturas à óleo sobre tela, 30 x 40 cm.

equilibristas 2005 – 2006. 95 ripas em pintura poliuretana sobre madeira, 2 x 3 x 200cm.

mar de bahia num dia de chuva 2006. 23 ripas, pintura poliuretana sobre madeira, 3 x 4 x 100 cm.

the tube 2005 – 2006. 124 tubos, pintura poliurena sobre cartão, diam.10 cm / H = 10, 20, 30 cm.

propagation 2006. desenho animado – produção e montagem de karine duchatel, musica de alvaro lazzarotto, desenhos e direção de iracema barbosa.

angoisses 2003-2004. desenho sobre papel, nankin, acrilico e grafite, 20 x 30 cm.


É através dos mestres modernos que venho alimentando minha pesquisa. Das pinturas e das colagens de Matisse, do suprematismo de Malévich, das composições de Mondrian, dos campos de cor de Ellsworth Kelly, das vibrações óticas de Brigdet Rilley, das recentes pinturas de Sean Scully, e, certamente através de grandes artistas brasileiros, como Aluisio Carvão, Ione Saldanha, Sérgio Camargo e Eduardo Sued, entre tantos outros.

O que norteia meu trabalho, mais que o prazer pelo desenho, é uma ação para recontrução ativa do mundo a meu redor. Cortar, lixar, pintar, vibrar a cor, equilibrar, espalhar e reunir pedacos de cor, transforma-los em outras coisas.

Há nesta ação um desejo de transcendência, de tocar, de separar e de juntar nosso ser ao mundo. Intercedo por uma certa espiritualidade, que não pertence a esta ou aquela religião, mas que nos coloque em movimento para criar formas que se aproximem e que se afastem de nos, formas de união e de diferenciação.

(texto para o convite da exposição propagation no atelier d’estienne)




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